ReviewsSériesMidnight Mass

A chegada de um jovem e carismático padre a uma aldeia moribunda e desesperada por fé é acompanhada por milagres gloriosos, fanatismo religioso e mistérios obscuros.
16 de Maio, 20221184
Ano
2021
Temporada
1
Classificação
16+
Score Final
Avaliações
Argumento
100%
Acting
100%
Fotografia
100%
Edição de Som
100%
Apreciação Flick
Mike Flanagan deixa de parte as casas assombradas e entrega-nos mais uma grande obra de arte.

Depois de produções como ‘The Haunting of Hill House‘ e ‘The Haunting of Bly Manor‘, há quem ainda pense que Mike Flanagan é um simples contador de histórias de fantasmas e casas assombradas.

Mas o realizador e escritor vai muito além disso. Em ‘Midnight Mass‘, a Igreja está no centro de tudo e Flanagan abraça um estilo de terror mais concreto para falar, de maneira intrigante e envolvente, as ameaças do fanatismo religioso e como este pode cegar as pessoas e deixá-las vulneráveis.

 

 

Depois de casas assombradas e fantasmas, Mike Flanagan embarca para a aldeia de Crockett, localizada numa ilha afastada da civilização. Lá, acompanhamos a chegada de Riley Flynn (protagonizado por Zach Gilford), antigo morador que foi tentar a sua sorte na cidade, mas que viu a sua vida desmoronar-se após se envolver num acidente de viação que matou uma rapariga. De volta à casa dos pais, depois de quatro anos na prisão, Flynn depara-se com um lugar a cair aos bocados e uma comunidade que luta para sobreviver. No entanto, as coisas mudam com a chegada do padre Paul (protagonizado por Hamish Linklater), um sacerdote carismático que traz consigo um clima de renovação e esperança mas também alguns mistérios que prometem abalar a aldeia.

 

 

Especialista em criar ambientes claustrofóbicos e personagens desconfortantes, Flanagan desenvolve a sua narrativa tendo como cenário uma aldeia moribunda, onde a decadência está explícita nas casas apodrecidas e sufocantes. Este tipo de lugar, acompanhado por uma fotografia fria e escura, serve para reforçar o tom ameaçador da trama. Hábil em lidar com o convencional, o diretor destaca-se na hora de manipular o medo, como quando converte a igreja, um lugar de fé, num refúgio atraente e perigoso. O espaço ganha cores fortes, luz intensa e fiéis sedentos por um pouco de esperança.

A atmosfera fica ainda mais pesada a partir do momento em que começamos a conhecer as pessoas que habitam a ilha Crockett (que tenho de mencionar o quão perfeito é este elenco). Além da atuação poderosa de Linklater como o misterioso padre Paul, personagens como Bev Keane (interpretada extraordináriamente bem por Samantha Sloyan),  a senhora Mildred Gunning (interpretada pela Alex Essoe que está escondida debaixo de uma maquilhagem incrível) e Erin Greene (protoganizada pela grande Kate Siegel que nos dá mais uma vez uma excelente performance), transformam a narrativa num espetáculo religioso envolvente, raivoso, reflexivo e apavorante acompanhados por passagens bíblicas e questionamentos existenciais.

 

 

Quem já viu outras obras de Flanagan, sabe que o realizador não é fã de sustos fáceis, e em ‘Midnight Mass‘ o mesmo mantém-se fiel às suas convicções sobre como provocar o medo.  Os movimentos de câmara embalados por uma banda sonora incrível mostram ao longo da narrativa que Flanagan tem pleno domínio na sua obra. No entanto, o grande terror da série está presente nos diálogos ferozes, muito bem escritos e nada forçados.

Estava bastante reticente em ver esta série derivado a todo o contexto religioso e, sendo eu uma pessoa não religiosa, pus a hipótese que poderia vir a não gostar. Mas Mike Flanagam acaba por me surpreender mais uma vez e entregar uma grande obra de arte.

Recomendo!

 

 

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